Em 1959 e 1960 Maack viajou para a Islândia, Spitzbergen e através da Noruega, participando em seguida do XXI Congresso Internacional de Copenhague. Durante a excursão em Spitzbergen.
Maack sofreu uma queda perigosa no morro do Congresso, no cabo Wyk, resultando uma séria artrose nos ossos da bacia ilíaca, da qual jamais se recuperou. Apesar do acidente sofrido, dirigiu-se imediatamente após o congresso para Nairobi, empreendendo durante os meses de setembro e outubro uma expedição ao Kilimandjaro, à região dos “Graben” na África Oriental, ao planalto das crateras gigantes (“Riesenkrater”) e a Serengeti. Em meados de outubro de 1960 Maack encontrou-se com o Dr. Henno Marlin em Windhoek, o qual já havia preparado a excursão previamente planejada ao Kaokoveld. O relatório desta viagem foi publicado num fascículo especial da sessão relativa às pesquisas da África em Berlim.
Da África do Sudoeste, Maack dirigiu-se mais uma vez à Transvaal e ao Oranje, voando em dezembro de 1960 para Leopoldville no Congo, onde chegou em pleno caos das lutas pela libertação. Um avião transportou-o para Gana, possibilitando-lhe uma viagem pela Libéria, antes de retornar ao Brasil.
É membro da Deutsche Geologische Gesellschaft, da America Geographical Society de Nova Iorque, da Sociedade dos Geólogos Brasileiros e da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência.
Para o Estado do Paraná tomou parte nas seguintes comissões:
Comissão para a Defesa do Patrimônio Natural do Paraná, Comissão de Estudos para Defesa contra Geadas, Comissão para o Combate a erosão no Paraná e Comissão Executiva do Plano de Industrialização cio Xisto Pirobetuminoso. O Estado do Parana deve a Maack o seu primeiro mapa fitogeográfico que exibe também as áreas de matas secundárias até 1955, e o mapa geológico de 1953, edição comemorativa para os festejos do Centenário da Emancipação Política do Estado do Paraná.
Em 1961 Maack viajou cm companhia de seu genro, de um perito em linguagem indígena e de um famoso cinegrafista para a região da mata virgem pluvial-tropical da serra dos Dourados entre os rios Ivaí e Piqueri. Sobre esta viagem a uma tribo recém-descoberta de índios denominados Xetá, vivendo ainda na Idade da Pedra, Maack publicou interessantes acontecimentos na revista Kosmos do ano de 1962. O contato destes indígenas com a civilizaçao moderna representou simultaneamente o dramático fim desta reduzidia tribo. Em 19 de dezembro de 1962, o Magnífico Reitor Prof. Flávio Suplicy de Lacerda concedeu a Maack a medalha de bronze comemorativa do Cinqüentenário de Fundação da Universidade do Paraná.
Como representante do Governo do Estado do Paraná e da Universidade Federal do Paraná, Maack participou do XXII Congresso Internacional de Geologia realizado em dezembro de 1964 em Nova Delhi na Índia, no qual tornaram parte cerca de 2.000 geólogos.
Através de inúmeras excursões teve a oportunidade de conhecer a fundo este país repleto misticismo, onde o esplendor da riqueza e a miséria se defrontam face a face. Voou para Calcutá, viajou a Banaras-Varanasi, onde num passeio de barco viu no famoso Ganges o maravilhoso nascer do sol e a afluência dos hindus aos “ghats” (escadaria de pedras que margem o rio a fim de tomarem seu banho diário no rio sagrado. Em Sarnath visitou, além do museu, a árvore sagrada Bodhi, sob a qual se iluminava a mente, de Buda, predicando pela primeira vez na antiquíssima torre chamada Dhamekh-Stupa. Entretanto, um dos acontecimenos mais impressionantes foi a viagem de jipe de Bagdogra e Darjeeling, cognominada rainha do Himalaia. Ao contemplar a magia de luz e cores que cintilam ao amanhecer na imponente cordilheira principal, onde se eleva o monte Everest com 8.882 m de altitude, Maack sentiu a mais profunda emoção e nenhuma palavra profana perturbou o silêncio festivo. Após o Congresso Internacional em Nova Delhi, onde Maack encontrou-se com sua esposa, empreendeu uma segunda excursão a Pachmarhi, Katni, Allahabad, Kanpur e Agra, onde admirou a maravilhosa e mundialmente famosa Taj Mahal, que representa a expressão máxima da cultura e arquitetura árabe, podendo ser considerada, ao lado das catedrais góticas da Europa, a mais bela obra do universo.
Em janeiro de 1965, após uma rápida estada em Karachi, Maack voou para Cairo, estudando no Egito as antigas esculturas em relevo e pinturas de tipos egípicos. Visitou Ménfis, Sakara, o famoso Museu Egípcio de Cairo, as pirâmides, assim como a Esfinge de Gisé, encontrando importantes elementos de comparação com os afrescos da África do Sudoeste.
Em companhia de um grupo de engenheiros do Instituto de Engenharia do Paraná, Reinhard Maack voou em setembro de 1965 via Cuiabá para Manaus. Após diversas excursões pela exuberante floresta amazônica, a hiléia, Maack navegou pelos grandiosos cursos fluviais do rio Solimões, rio Negro e Amazonas (com 5.800 km de extensão, o terceiro rio da Terra), descendo o mesmo até Belém do Pará após uma rápida parada em Santarém, na foz do rio Tapajós. Excursionou através do Estado do Pará, chegando a Salinópolis no litoral do Oceano Atlântico. Dirigiu-se a Brasília, situada nos Campos Cerrados do planalto central de Goiás.
Em 30 de setembro de 1967 Maack viajou à Argentina para tomar parte no Simpósio Internacional sobre Estratigrafia e Paleontologia de Gondwana em Mar del Plata. No dia 14 de outubro voou para Montevidéu, a fim de participar do Simpósio Internacional sobre o Drift Continental, apresentando a tese sobre “Continental Drift and Geology of the Southern Atlantic Ocean”.
Em 30 de outubro de 1967, os geólogos brasileiros reuniram-se em Curitiba para realizar o XXI Congresso Brasileiro de Geologia e em sessão solene foi conferida a Reinhard Maack a medalha de ouro “José Bonifácio de Andrada e Silva” pelo Dr. Viktor Leinz, em nome da Sociedade Brasileira de Geologia.
Maack representou em 1968 o Instituto de Biologia e Pesquisas Tecnológicas e a Universidade Federal do Paraná no XXIII Congresso Internacional de Geologia em Praga na Checoslováquia. Antes do Congresso Maack tomou parte nas excursões de 8 a 16 de agosto ao Erzgebirge, a Teplice, Dresden, Freiberg, KarlMarx-Stadt, Annaberg, Carlsbad e Pilsen. Infelizmente o Congresso propriamente dito de 19 a 28 de agosto não pôde ser realizado em virtude da invasão da cidade de Praga por tanques e tropas soviéticas e de outros países do Pacto de Varsóvia. Como os tchecos pretendiam resistir à invasão estrangeira, as ruas centrais ficaram juncadas de cadáveres e moribundos, ruindo várias casas sob o impacto dos projéteis russos. Muitos edifícios foram destruídos pelas chamas, reunindo-se grande multidão tcheca na Praça Wenceslaw, vaiando as tropas de ocupação. Da janela de seu hotel Maack presenciou o sangrento combate.
Depois de voltar ao Brasil em novembro de 1968, tratou da sua aposentadoria, pois mesmo depois de atingida a idade limite preferira permanecer no trabalho ao invés de gozar do direito à aposentadoria compulsória.
A Reinhard Maack foram entregues, no dia primeiro de julho de 1969, as insígnias da Ordem do Mérito no grau de Comendador com que fora agraciado pelo Presidente da República Federal da Alemanha, sr. Heinrich Lübke, em sessão solene na residência do Cônsul da Alemanha, sr. Roland Zimmermann.
Apesar de Reinhard Maack vir sofrendo há muitos anos de reumatismo e de úlcera no duodeno, continuava a trabalhar intensivamente. Assim conseguiu terminar as obras:
:: Drift Continental e Geologia do Atlântico Sul
:: Geografia Física do Estado do Paraná
:: A Serra do Mar no Estado do Paraná
:: A Água do Subsolo da Bacia Paraná-Uruguai
As duas primeiras obras foram publicadas antes de Maack ter de se submeter a uma intervenção cirúrgica em agosto de 1969. A importantíssima obra A Água do Subsolo da Bacia Paraná-Uruguai ainda está em prelo na Imprensa Universitária.
Na madrugada de 26 de agosto de 1969 Reinhard Maack cerrou os olhos para a eternidade, após ter sofrido um infarte do miocárdio. Termina assim uma abençoada vida repleta de idéias e realizações, uma brilhante carreira que principiou em Herford, estendeu-se por países distantes de norte a sul e de leste a oeste de nosso policrômico planeta, findando em Curitiba, após ter vivido 46 anos no Brasil.
Encerro este rápido retrospecto com as próprias palavras de Maack: “E estranho como felicidade e desdita, momentos preciosos e penosos, alegria e dor se confundem quando aprecio tudo à distância. Nas recordações todos os acontecimentos miraculosamente se banham num cálido raio luminoso, sendo ofuscados mesmo os dias da miséria com a luz do Sol. Embora não tenha encontrado o encantado “País da FeIicidade” em minha peregrinação terrena, predominou a abundância do belo que o bondoso destino me ofertou ”.